sábado, 25 de Dezembro de 2010

Texto do Professor Jorge Araújo relativo ao basquetebol

Fala-se muito na nossa modalidade da necessidade de mudar de estratégia. Como consegui-lo? Fazendo a diferença. Surpreendendo a realidade mórbida em que vivemos nos dias de hoje, onde todos parecemos prisioneiros da crise económica. Não há dinheiro? Mobilizem-se vontades, apele-se à participação de tudo e de todos, responsabilizem-se os jogadores e os treinadores, dando-lhes participação no processo de recuperação que urge. Conquistem-se adesões. Quantos quadros executivos de empresas destacados, antigos atletas da modalidade, desempenham hoje funções ao mais alto nível? Muitos! Pois que a sua boa vontade e ajuda seja requerida. Sejamos criativos quanto baste, encontremos soluções no âmbito da mobilização das pessoas e das instituições, deixemos de estar à espera do milagre. Sejamos milagreiros como se impõe. Abandone-se a gestão de cúpulas em que clubes e Federação se encerraram nos últimos anos, passemos à fase do todo ser maior que a soma das partes, onde todos sem excepção tenham uma palavra a dizer. Nomeadamente jogadores e treinadores. Acreditem que temos (sempre tivemos!) capacidades mais que suficientes para sermos uma ajuda qualitativa de primeira linha. E principalmente acreditem que se há alguém a quem a crise actual não interessa, é aos jogadores e treinadores. Está em jogo o nosso ganha pão.
Recurso a especialistas de marketing e comunicação. Eis uma questão que não se pode nem deve escamotear. Chega de amadorismos. O cliente a quem nos dirigimos é o público em geral. Nenhuma empresa na actualidade espera a respectiva adesão. Bem pelo contrário. Desafiam-no, provocam-no, aliciam-no. Como aceitar que o projecto profissional de basquetebol continue, passivamente, à espera que os adeptos adiram ao nosso produto, se não somos capazes de o promover como ele merece? Vamos ao seu encontro, façam-no acreditar no valor acrescentado que a modalidade lhes pode trazer. Quem é o público? Pais, cujos filhos adorariam participar em Campos de Férias. Executivos de empresas, que gostariam de ouvir em pequenos almoços de trabalho alguns dos treinadores da Liga Profissional explicar-lhes o que fazemos em termos de Liderança e Direcção de Equipas. Cidadãos, que gostariam que na sua rua ou no seu bairro, durante alguns fins de semana acontecessem iniciativas destinadas a ocupar os tempos livres da juventude local. Doentes, cujo entusiasmo pelo basquetebol cresceria a olhos vistos se fossem visitados e cumprimentados por atletas e treinadores de prestígio nacional. Professores, que sentiriam o impacto de verem os seus alunos deslocar-se gratuitamente aos jogos de basquetebol. Patrocinadores, que se entusiasmariam com o facto dos jogos da Liga serem uma festa da juventude e do público em geral. Fazer diferente. Ser criativo. E deixar de actuar como amadores receosos de perderem o poder que foram tendo ao longo dos anos, perante uma dinâmica de participação que, a acontecer, ultrapassa os seus limites de visão futura da modalidade.
Os clubes, as Associações Regionais e a Federação, têm de mudar de facto. Mas mudar não é fácil. Principalmente porque ninguém modifica atitudes e comportamentos, sem primeiro perceber que ele próprio requer mudar no plano pessoal.
Falar verdade dói, mas como diz o povo o que arde cura. Não podemos desistir. Temos de conseguir que os que estão a mais no basquetebol, por se recusarem sistematicamente a encetar a mudança, sejam eles sim a abandonar.

Texto escrito no ano de 2003 por Jorge Araújo, ainda então treinador de basquetebol, hoje empresário na área da consultoria comportamental, através da Team Work Consultores (jaraujo@teamworkconsultores.pt )

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